A MENINA DE SANTA
BRANCA
Tocaram os sinos da sete e meia
E
não houve tristeza tanta
Quando
morreu a menina,
A
menina de Santa Branca .
Tocaram
os sinos das onze horas,
E
de cada rosto viu-se o pranto,
Não mais ouvi a voz sonora
Da
menina que eu amava tanto.
Tocou
o sino da meia noite
E
o pranto parece em vão,
Porque
a menina de Santa Branca
Deixou-nos
na solidão.
Chegou
ao Pai a Menina,
Vestida
de sol e véu
E
sua cruzada agora
Tem
início lá no céu.
Chorou
a chuva da Terça feira
E
a manhã não se fez forte
Quando
a menina de Santa Branca
Foi-se
no vento da morte
A
rosa perdeu a cor,
A
estrela se apagou,
Todo
céu chorou a chuva,
E
sua música tocou,
O
belo perdeu a graça
O
sorriso se fechou
E
na lembrança de uma foto,
Até a Santa chorou ...
PAPAI DAMÁSIO
Olha,
papai Damásio,
Talvez
o tempo te pegue,
E
o vento carregue da mente
Ou
do olho da vida se apague
O
que veio da alma da gente.
E
sabe, papai Damásio,
Talvez
o mundo o esqueça
E
um dia você se aborreça
E
não haja no ar a lembrança...
É
difícil pôr na cabeça
Que
um carinho não prevaleça
Quando
a gente o põe na balança.
E
olha, papai Damásio,
Se
o céu abrisse esta hora,
E
dissessem-nos que é agora
O
direito de poder escolher,
O
coração dava mais um salto,
O
querer gritava bem alto,
Meu
pai seria você!
E
sabe papai que a lágrima
É
poesia viva aqui dentro
Numa
voz bem carinhosa.
São
os olhos e a boca da gente,
Corpo
e alma de presente
Numa
rosa cor-de-rosa
VELHOS PLANOS
Na minha juventude eu sonhava
Que
deixaria minhas pegadas para trás
Faria
a diferença neste mundo,
Seria
o Nobel da Paz !
Talvez
alguém bem famoso,
Um
artista ou ativista do green peace,
Um
missionário à percorrer o mundo,
Prêmio
Nobel ? Ah, isso eu já disse.
Mas
o tempo foi passando,
Meu
sangue quente , esfriando...
O
tempo que era tanto,
Encurtando,
encurtando...
Eu
não canto numa banda,
Eu
não recito nos teatros,
Não
escrevi livros ,
Não
plantei árvores,
Faço
algumas poesias
Depois
de lavar pratos!
Faço
a diferença ? sou indispensável
Neste
mundo tão atormentado e egoísta?
Sei
lá ? eu faço a minha parte.
Depende
do ponto de vista
Poesia
De que adianta seguir a métrica
E
conhecer toda teoria,
Se
isto só não basta
Pra
fazer uma poesia,
Porque
ela tem que falar
Além
do que está escrito,
Tem
que atingir o coração
Como
flecha de cupido,
Tem
que mergulhar na alma,
Tem
que invadir a mente,
Tem
que, mesmo numa vírgula,
Transmitir
o que se sente !
Poesias
são...sei lá...?
Palavras
que tem vida,
Que
tem vontade própria !
Quando
saem do poeta,
Adquirem
vida própria
Ou
parasitam outras vidas ...
Poesia
é menos
Daquele
que escreve,
É
quase inteiramente
Propriedade
de quem lê.
E
um pensamento breve
Ou
longo se preferir,
Mas
é feito pra você.
EPIDEMIA
Se eu tentar fazer nascer
Um
mundo novo dentro de mim,
Talvez
eu consiga ver
Um
mundo novo em você também.
E
os nossos mundos novos,
Espalhando-se
entre vidas,
Farão
vários mundos novos,
Aqui,
ali, além...
E
assim começa a epidemia
Do
sonho que contagia,
Do
mundo que começou
Do
meu sonho singular
De
fazer nascer o bem.
Junto meu desejo
Ao
seu , ao nosso, ao dela,
Espalhando
a epidemia
Que
pode mudar a Terra.
Por Você
É pra você que o Atlântico valsa
Embalando
os barcos pra cá e pra lá,
Por
você que o Pacífico
Sempre
existirá,
Por
você a Terra é sólida e fértil,
Promissora
e sempre será.
Por
você especialmente
Os
ventos sopram sem cansar,
Por
você o sol aquece
E
vai sempre iluminar.
Por
você as plantas crescem
Para
encher os seus celeiros,
Por
você espécies nascem
Por
você a lua brilha cheia,
Depois
míngua e retorna,
Por
você a água corre
Na
direção da sua sede,
Por
você criou-se a alma
E
os anjos guerrearam,
Para
que você ganhe o direito
De
escolher a sua estrada.
Por
você fez-se a Terra,
Fez-se
a luz , fez-se a sombra,
Por
você extinguiu-se a guerra,
Por
você fez-se iguais
Para que a sua vida
Não
seja tão repleta
E
ao mesmo tempo tão vazia
De
coisas feitas pra você!
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