AS TUAS MÃOS DE
FADA
Quero
tuas mãos de fada
Embalando
os vivos,
Quero
teus cabelos soltos
Nos
campos de trigo,
Quero
ver dos teus dedos finos
Escapar
as águas,
Dos
riachos e das fontes puras,
Onde
perdes todas tuas mágoas,
Quero
teus cabelos livres
Reluzindo
o brilho do sol quente
Quero
tua pele acariciada
Pelo
sol poente
Quero
tuas mãos de fada
Segurando
as rédeas numa cavalgada
Quero
ouvir de longe tua alegria
Pura
e encantada...
Quero
teu olhar de fada
Sempre
a meditar...
Quero
teu olhar de fada
Sempre
a contemplar...
Quero
teu perdão de fada
De
uma alma pura
Que
não guarda ódio,
Nem
uma amargura,
Vejo
tua cabeça livre
Seguindo
a direção do vento,
Vejo
teu coração honesto
Guiar
teu pensamento.
Tens
um coração de fada
Transbordando
de tanta bondade,
Que
faz meu coração de gente
Quase
explodir de felicidade !
HUMILDADE
Se
você um dia chegar
Da
pirâmide ao ponto elevado,
E
de um dia para o outro acontecer
De
você ser idolatrado,
Dos
seus irmãos prostrarem-se
Diante
de sua sombra, coitados
Pense
se você fez para merecer
Este
joelhos dobrados,
Pois
um dia impérios caíram,
Tão
maiores que você,
Reis
perderam cabeças,
Príncipes
a liberdade,
Princesas,dignidade,
Rainhas,sanidade.
Saiba
você viver plenamente,
Decentemente,
seria melhor,
Mesmo
sendo poderoso,
Como
árduo trabalhador,
Como
pai generoso,
Como
quem não carrega gloria,
Como
quem não abandona
Como
quem sabe que a vitória
É
nuvem que passa
É
densa fumaça
Que
o vento desfaz,
É
porcelana tão fina,
Que
jogada ao chão,
Jamais
de refaz.
NO
ENTARDECER
Num
entardecer gelado
Soprava
um vento triste
Sussurrando
em meus ouvidos
“não
existe”, “não existe”
eu
pensava no passado,
no
meu sonho lá sonhado,
e
o vento diz e insiste,
“não
existe”, “não existe”
olhei
para o presente
eu
sentada ali na areia
de
uma praia ao poente
tentando
encontrar
minha
vontade de seguir,
de
sorrir, de caminhar.
E
o vento tão gelado,
Do
meu lado ainda insiste
Não
existe... não existe...
Tão
frio como umas almas
Que
flutuam esquecidas,
Incontável
como areia,
São
meus pensamentos tristes,
Olhei,
mas eu não vi,
Procurei
, mas não achei.
Não
sei o que perdi,
E
nem sei se encontrarei...
DESCOBRI
Sentada
na beira da estrada,
Não
quero carona,
Quero
ir à pé.
Cabelo
no rosto, poeira na boca,
Na
mochila, minha fé.
O
barulho do cascalho
Que
eu piso ,
no
caminho dos meus pés,
O
verde, o laranja, o azul
Se
misturam nos meus olhos.
E
os ouvidos capturam
os
sons da liberdade
Parar
ou andar,
Ver,
escutar,
Partir
ou ficar.
Tudo
é permitido,
Separado
ou tudo junto!
Eu
decido,
E
posso até decidir não decidir,
Escrever,
desenhar,
Fotografar
ou só olhar,
Na
memória engavetar
Para
um dia lá adiante
Vir
à tona este instante
Quando
vi que o paraíso,
É
um momento preciso
E
não um lugar distante.
Hoje
eu quero chorar
Hoje
eu quero chorar...
Você
pode me adular,
Dizer
que sou bonita,
Que
sou muito inteligente,
Pode
cansar de elogiar,
Dizer
que escrevo bem,
Que
desenho bem também,
Pode
cair de joelhos
Ou
de nariz no chão.
Pode
ser meu tapete,
Pode
me dar doces,
Pode
dizer que esta roupa
Fica
muito bem em mim!
Que
meu cabelo nunca foi
Tão
bonito assim!
Que
eu rejuvenesci,
Que
eu até emagreci,
Que
meu rosto é tão jovem
Que
pareço descansada,
Que
nem se nota que não dormi
Diga
o que quiser...
Mesmo
sem acreditar,
Estou
pouco me importando,
Porque
hoje eu só quero chorar!!!
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