NO FIM DO ANO
No
fim do ano vou contar-lhe o meu segredo,
Contar
porque cresci mais cedo,
E
porque sou criança certas vezes.
Vou
contar porque escolhi você,
Vou
mentir que já esqueci você,
Vou
correr pra não ouvir um não!
E
no fim do ano vou contar,
Que
gostei muito mais da ilusão,
Porque
dela tenho um beijo tão “mentira”
Que
a verdade foge, nem respira ,
E engano mais um ano o coração
Quando
chegar o fim do ano
Vou
escrever-lhe tudo aquilo que senti,
Vou
sentar no fim do corredor,
Fazer
uma ou duas poesias ,
E
rasgá-las, com muita dor.
Esvaziar
a cabeça já vazia...
No
fim do ano vou juntar coragem,
Toda
aquela que guardei o ano inteiro,
Vou
parar você no pé da escada,
Olhar
seu rosto de ligeiro,
E
fugir, sem coragem, sem nada,
Porque
nada poderei dizer.
Mas
talvez você entenda este medo,
E
decifre o que diz meu olhar,
E
então saiba aí meu segredo,
Sem
que a boca precise contar.
PRESTE ATENÇÃO
Preste atenção no vento
Que
carrega a minha voz,
Penetre
neste vento
E
aproveite este tempo à sós.
Preste
atenção no céu,
Em
que voa a ave libertada
Preste
atenção no ventre
Ou
preste atenção no nada.
Preste
atenção em quem sente,
Pode
ser um sentimento por você,
Preste
atenção nesta gente,
Pois
há gente que precisa de você.
Preste
atenção na vida,
Porque
ela tem saída
Pros
problemas de amanhã,
Preste
atenção na menina feia,
Pode
ser o rosto de uma irmã,
Preste
atenção na morte da baleias,
Preste
atenção nas crianças do Irã.
Preste
atenção em tudo,
Sem
esquecer de você,
Sem
esquecer de ir andando,
Olhe
em cada canto
Um
rosto diferente,
Que
por traz de cada rosto de gente
Tem
muita gente te amando.
Colheita
Leste, Sul
Oeste
ou norte ?
Pra
qual lado
Se
dirige a nossa sorte ?
Pensamento
tão profundo:
Que
destino nos pertence neste mundo ?
Caminhamos
tão ligeiros,
Mas
tanto faz se caminharmos devagar,
Na
estrada há tantas vidas diferentes,
Mas
é a nossa vida que vem nos encontrar !
Como
o homem que semeia
Entre
pedras e areia,
Ou
aquele que semeia
Em
nenhum lugar.
Com
certeza nada colhe,
É
a vida quem escolhe,
Pois
a vida também colhe quem plantar.
Longe dos olhos
Quanto mais longe estejas
Mais
te imagino perfeito,
Não
quero procurar
E
nem enxergar seus defeitos.
Fecho
os olhos
E
seguro suas mãos
E
te chamo meu amigo,
E
te empresto meu ombro,
Ouço
e conto histórias,
Que
só os amigos se permitem contar,
E
mesmo sendo um delírio
Eu
me permito sonhar.
Fecho
os olhos no vento,
E
viajo nas folhas que voam no outono,
Até que esta folha seca de Junho
Entre
com o vento
Pela janela do seu quarto iluminado
E
caia silenciosamente no chão,
Nos
pés da sua cama,
Dentro
do coração ,
Refletindo
os fios de luz
Que
flutuam no ar do amanhecer,
Pois tanto eu, a luz e a folhinha seca
Quisemos
te ver dormir em paz
Até chegar o anoitecer.
Estrela
A luz de uma estrela errante
Cruzou
o infinito céu
Seria
uma estrela cadente
Morrendo
naquele instante ?
Dizem
que uma estrela
Tem
mais brilho no final
E
mesmo estando tão distante
Sabemos
o quanto é bela.
Não
é segredo pra ninguém
Que
se a estrela aqui acaba
Não
é o fim do universo
Porque
assim como gente
Uma
estrela morre hoje
E
hoje nasce outra também
E
também como o universo
Que
foi, é e será,
Há
uma estrela em todos nós
Que
sempre existirá !
ACUSADOS
Todo aquele que fosse acusado
Pela
Santa Inquisição
Era
então condenado,
Fosse
culpado ou não!
E
o que era ser culpado?
Era
não ser cristão ?
Ser
judeu ou muçulmano ?
Era
não ter religião ?
Era
adorar a natureza
E
ter o sol como deus ?
Ter
as ervas como santos
E
os animais semelhantes seus ?
Hoje
não é diferente.
E
somos tão civilizados ,
Somos
tão evoluídos,
Mas
olhando pro passado,
Não
mudamos nem um tico !
Somos
sim, indiferentes,
Egoístas,
vaidosos, prepotentes.
Nosso
caminho é direito
E
o do outro é sempre errado,
Somos
sempre absolvidos
E
os outros são culpados
Usamos
o nome de Deus
Para
julgar e negar o céu
Como
se Deus não soubesse
Avaliar
quem merece
Ser
acolhido ou beber o fél.
E
decidimos por Ele
Como
filhos tiranos
Que
não esperam a vez
Que
foram bem mal educados.
E
eu me pergunto à toda hora,
Em
sua sabedoria,
Porque
foi que Deus nos fez ?
Porque
Ele ainda insiste
Em ouvir a nossa voz?
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